Mãe de criança morta em ataque a creche se revolta com mudança na segurança das escolas de Blumenau
A reação veio após a prefeitura encerrar a vigilância armada nas escolas.
A decisão da Prefeitura de Blumenau de encerrar o serviço de vigilância armada nas escolas e centros de educação infantil provocou reação de familiares das vítimas do ataque à creche Cantinho Bom Pastor, ocorrido em 2023.
Entre eles está Jennifer Pabst, mãe de Bernardo Pabst da Cunha, uma das quatro crianças mortas na tragédia. Em vídeo publicado nas redes sociais, ela demonstrou indignação com a mudança anunciada pela administração municipal.
O prefeito de Blumenau, Egidio Ferrari, informou que os vigilantes serão substituídos temporariamente por porteiros durante um período de seis meses. Paralelamente, a prefeitura pretende implantar um novo modelo de segurança com reconhecimento facial, câmeras de monitoramento e catracas eletrônicas, sistema que deverá alcançar todas as unidades de ensino até o início de 2027.
Jennifer afirmou que recebeu a notícia com revolta e classificou a situação como um desrespeito às famílias que lutaram por medidas de proteção após o massacre. Segundo ela, pais que perderam os filhos chegaram a viajar a Brasília em busca de apoio do governo federal para reforçar a segurança nas escolas.
A mãe de Bernardo também criticou o fato de recursos destinados à proteção dos estudantes terem sido alvo de suspeitas de irregularidades e questionou se a população aceitará que um esquema de corrupção resulte na redução das medidas de segurança.
Embora reconheça que a rescisão do contrato seja uma consequência das investigações em andamento, Jennifer defende que outra empresa fosse contratada para manter a vigilância armada nas unidades escolares. Para ela, a troca do modelo gera insegurança entre as famílias que ainda convivem com as marcas deixadas pela tragédia.
O serviço de segurança nas escolas de Blumenau passou a ser alvo de investigação do Ministério Público de Santa Catarina após uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco).
De acordo com os investigadores, a empresa responsável pelo contrato, a Orcali, teria recebido informações privilegiadas sobre propostas de concorrentes para apresentar ofertas mais vantajosas em processos de contratação realizados após o ataque à creche.
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As apurações indicam que a contratação emergencial da vigilância, feita em meio à comoção causada pelo assassinato das crianças, teria beneficiado a mesma empresa em diferentes etapas. Inicialmente, um contrato de cerca de R$ 9 milhões foi firmado e posteriormente ampliado.
Mais tarde, uma licitação de aproximadamente R$ 42 milhões também teria sido direcionada, segundo a investigação, por meio do acesso indevido a informações sigilosas e da exclusão de concorrentes.
Bernardo Pabst tinha quatro anos quando foi morto no ataque registrado em 5 de abril de 2023. Além dele, perderam a vida Bernardo Cunha Machado, de cinco anos, Larissa Maia Toldo, de sete, e Enzo Marchesin Barbosa, de quatro. Outras cinco crianças ficaram feridas. O autor do crime foi condenado a 220 anos de prisão por quatro homicídios e cinco tentativas de homicídio.
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