Despedida interrompida: erro no IML faz famílias enterrarem corpos trocados em SC
A situação só veio à tona após um familiar procurar o instituto para reconhecer um dos corpos.

O que deveria ser a despedida de três vítimas terminou em dor ainda maior para famílias de Florianópolis. Um erro na liberação de corpos pelo Instituto Médico Legal (IML) fez com que dois homens fossem velados e sepultados por familiares que acreditavam estar enterrando seus parentes. O caso aconteceu após as mortes registradas em 9 de abril e agora será investigado pelo Ministério Público de Santa Catarina.
Entre as vítimas estava J.H.G., de 24 anos, que morreu após um acidente de moto. Os outros dois homens, identificados pelas iniciais P.N.F. e D.D.C., foram assassinados no mesmo dia. Os três corpos foram recolhidos juntos e encaminhados à Polícia Científica de Santa Catarina. No dia seguinte, começou a sequência de falhas que levou à troca das vítimas durante os funerais.
De acordo com as informações do G1, o corpo de P.N.F. foi enterrado no Cemitério do Itacorubi no lugar de D.D.C. Já D.D.C. acabou sepultado no Cemitério do Rio Vermelho, em uma área destinada à família de J.H.G. Enquanto isso, o corpo do jovem morto no acidente permaneceu no IML sem ser entregue aos familiares.
A situação só veio à tona após um familiar procurar o instituto para reconhecer um dos corpos. Até então, os velórios haviam ocorrido normalmente, ambos com caixões fechados. A mãe de J.H.G. contou que participou de toda a cerimônia acreditando estar se despedindo do filho e só descobriu o erro depois de receber uma ligação da funerária ao retornar para casa.
Após a confirmação da troca, os corpos precisaram ser exumados e encaminhados novamente ao IML antes de serem liberados para novos sepultamentos, realizados dias depois. O episódio gerou revolta entre os familiares, que relataram sofrimento duplicado diante da necessidade de reviver todo o processo de despedida.
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Um relatório interno do IML aponta que o equívoco teria ocorrido durante a retirada dos corpos por agentes funerários. O documento afirma que a localização correta das vítimas havia sido indicada pelos servidores do instituto. Já a funerária envolvida contesta essa versão e afirma que os documentos estavam identificados corretamente, mas vinculados aos corpos errados.
A agente funerária A.T.N.M., que atua há mais de uma década no setor, declarou que nunca havia presenciado uma situação semelhante. Ela também afirmou que, após a descoberta da troca, houve sugestão para que o erro não fosse comunicado às famílias e que os enterros seguissem normalmente. A Polícia Científica negou que essa proposta tenha sido feita.
Em nota oficial, a Polícia Científica reconheceu a falha operacional ocorrida na unidade de Florianópolis, lamentou o episódio e pediu desculpas às famílias. O órgão informou ainda que abriu investigação interna para apurar responsabilidades e anunciou revisão nos protocolos de identificação e liberação de corpos para evitar novos erros.










