Jovem com lesão medular passa por aplicação de polilaminina e apresenta movimentos nos pés em SC
A polilaminina é produzida a partir de uma proteína e aplicada diretamente na medula espinhal.

O uso da polilaminina, substância ainda em fase de estudo, começa a ganhar espaço em Santa Catarina e já mobiliza pacientes e profissionais de saúde em busca de alternativas para lesões na medula. Em Sombrio, no Hospital Dom Joaquim, duas novas aplicações foram realizadas no mesmo dia, ampliando para quatro o número de procedimentos desde março na unidade administrada pelo Instituto Maria Schmitt (Imas).
Entre os pacientes está Cauan de Lima, de 20 anos, morador de Três Barras, que enfrenta as consequências de um acidente de motocicleta ocorrido na véspera de Natal do ano passado. Ele foi socorrido após ser encontrado caído às margens da via, com sinais de desorientação.
O atendimento inicial indicava lesões nas pernas e possível comprometimento da coluna, quadro que depois se confirmou como uma lesão medular completa, responsável por deixá-lo sem movimentos da cintura para baixo.
Depois da cirurgia de estabilização, realizada em Mafra, a família passou a buscar novas possibilidades de tratamento. A fisioterapeuta que acompanha o caso relatou que o interesse pela polilaminina surgiu ainda nas primeiras semanas, mas o paciente já não se encaixava nos critérios iniciais dos estudos, voltados a casos mais recentes. Mesmo assim, a tentativa de acesso continuou por meio de contatos com equipes médicas e especialistas.
A virada ocorreu quando foi identificada a realização do procedimento em Santa Catarina. Com a documentação em mãos, o caso foi encaminhado ao médico responsável, que autorizou a aplicação. Poucos dias após o procedimento, surgiram sinais considerados importantes dentro do processo de reabilitação, como a movimentação dos pés.
No mesmo dia, outro paciente também passou pela aplicação. Ambos seguem em acompanhamento e fazem parte de um grupo que vê no tratamento uma possibilidade concreta de evolução clínica.
>> LEIA TAMBÉM: Polícia Militar intensifica ações em Timbó e registra mais de 80 atendimentos em uma semana
A polilaminina é produzida a partir de uma proteína e aplicada diretamente na medula espinhal, com a proposta de estimular conexões nervosas afetadas por traumas. Apesar dos relatos positivos, o método ainda depende de validação científica mais ampla e de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para uso em larga escala.
Casos recentes têm ganhado visibilidade e ajudam a impulsionar o debate sobre novas abordagens na reabilitação neurológica. Em outro exemplo, uma jovem também submetida ao procedimento compartilhou nas redes sociais a recuperação de movimentos em uma das pernas dias após a aplicação, aumentando a repercussão em torno da técnica.
Enquanto os estudos avançam, o tratamento segue cercado de cautela, mas também de expectativa, principalmente entre pacientes que buscam alternativas diante de diagnósticos considerados irreversíveis.










