Pedágio Solidário: bombeiro conta no Mistukenti como a iniciativa transforma o dia a dia da associação e revela bastidores da rotina nas emergências
O Mistukenti desta semana, recebeu Tiago Mezaroba, bombeiro comunitário há 19 anos em Timbó, para uma conversa que revelou bastidores da profissão e, principalmente, esclareceu como funciona o pedágio solidário da região e de que forma a estrutura influencia o trabalho de quem atua diariamente em emergências.
Tiago explicou que o pedágio vai muito além da cabine de cobrança. Segundo ele, a tarifa mantém equipes de apoio como guinchos, socorristas, monitoramento e atendimento inicial em acidentes — um suporte que, quando bem coordenado, reduz o tempo de resposta e ajuda a organizar o fluxo da rodovia.
“A concessionária faz o primeiro atendimento e cuida do controle da pista. Quando a ocorrência exige procedimento técnico, o Corpo de Bombeiros assume. Trabalhamos juntos para que o atendimento chegue o mais rápido possível”, destacou.
Ele também comentou que a presença de equipes posicionadas próximas ao pedágio ajuda em situações de grande movimentação, como fins de semana, feriados e períodos de obras na rodovia.
O bombeiro explicou ainda quais serviços são da concessionária e quais são exclusivos do Corpo de Bombeiros, esclarecendo dúvidas que muitos motoristas têm sobre quem deve ser acionado em cada caso.
Embora o pedágio tenha sido o principal assunto, a conversa seguiu para outros temas marcantes da trajetória do bombeiro.
A história que definiu a carreira
Tiago atua na corporação desde 2006. Um dos momentos que mais marcaram sua vida profissional aconteceu logo na primeira ocorrência: o atendimento a um bebê de nove meses que não resistiu após um episódio de refluxo. Ele afirma que aquele caso confirmou sua vocação.
“Cada situação é um aprendizado. Precisa preparo físico, emocional e treinamento. Não tem como vestir essa farda sem dedicação”, disse.

Demanda crescente e cidade em expansão
Com Timbó crescendo em ritmo acelerado — novos loteamentos, mais moradores e trânsito mais intenso — o número de ocorrências aumentou.
Fins de semana e datas festivas registram chamados mais graves, principalmente envolvendo acidentes, incêndios e emergências clínicas.
Atualmente, a corporação reúne cerca de 20 bombeiros militares e aproximadamente 50 bombeiros comunitários. Em cada plantão, o mínimo é de cinco profissionais: três na ambulância e dois no caminhão de combate a incêndio.
>>LEIA TAMBÉM: No Mistukenti, Sérgio Barreto expõe a realidade por trás da advocacia e das disputas familiares
Tecnologia e o tempo que define vidas
Tiago destacou que os trotes diminuíram após a implantação da triagem via COBOM de Blumenau e com a queda do uso de telefones públicos. Hoje, o tempo de resposta em Timbó varia de 3 a 7 minutos.
“Cada minuto conta. Em uma parada cardiorrespiratória, são 10% a menos de chance a cada minuto sem atendimento”, explicou.
A emoção que precisa ser controlada
O bombeiro também falou sobre os atendimentos que envolvem conhecidos ou familiares — os mais difíceis emocionalmente. Segundo ele, equilíbrio é fundamental.
“É preciso separar o sentimento da hora do atendimento. A família depende desse equilíbrio para confiar que tudo está sendo feito.”
Apesar dos desafios, Tiago reforça que o trabalho é recompensador.
“Quando conseguimos salvar alguém, quando vemos uma família respirar aliviada, entendemos por que estamos ali.”







