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Tarifaço dos EUA derruba produção industrial de SC em agosto; queda atinge até 8%

Setores de madeira, metalurgia e veículos lideram retração; impacto sobre exportações preocupa indústria catarinense

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A produção industrial de Santa Catarina recuou 1,8% em agosto em relação ao mês anterior, segundo dados do IBGE, refletindo os impactos do tarifaço norte-americano sobre as exportações brasileiras.

Setores estratégicos, como produtos de madeira, veículos automotores e metalurgia, registraram quedas expressivas, pressionando o desempenho industrial do estado.

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De acordo com Gilberto Seleme, presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), “os números comprovam o que o industrial já vinha sentindo: redução de pedidos, reflexo das altas tarifas para os Estados Unidos, além de desaceleração da demanda interna em alguns segmentos”.

Produtos de madeira e móveis sofrem com exportações
O setor de produtos de madeira liderou a retração, com queda de 8,4% em agosto frente a julho.

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Segundo Pablo Bittencourt, economista-chefe da FIESC, a redução reflete o impacto do tarifaço nos preços e a antecipação de pedidos, que elevou estoques. Santa Catarina é o principal exportador brasileiro de madeira, respondendo por 36,7% das vendas do país para o mundo em 2024, das quais 41% tiveram os EUA como destino.

No setor de móveis, embora tenha havido leve alta de 0,6% no mês, a tendência é de desaceleração contínua desde o fim de 2024.

>>LEIA TAMBÉM: Exportações de SC para os EUA despencam 55% em setembro após tarifaço

A forte queda nas exportações para os EUA em setembro (-55%) deve pressionar a produção nos próximos meses. O estado é responsável por 27,6% das exportações nacionais de móveis, sendo quase metade direcionada aos Estados Unidos.

Metalurgia e veículos também registram queda
A fabricação de produtos metalúrgicos caiu 7%, reflexo direto das tarifas norte-americanas. Já o setor automotivo, que inclui veículos, reboques e carrocerias, recuou 7,5%, afetado principalmente por fatores domésticos.

Bittencourt destaca que a alta taxa de juros encarece o crédito e adia investimentos em caminhões e veículos leves, enquanto o elevado endividamento das famílias reduz as vendas.

Bens intermediários desaceleram
A retração também atingiu bens intermediários, com produtos químicos (-1,6%) e borracha e plásticos (-1,9%) mostrando sinais de desaceleração, refletindo menor demanda por embalagens e insumos industriais.

O desempenho de agosto evidencia o desafio que a indústria catarinense enfrenta para equilibrar produção e exportações em meio a barreiras tarifárias externas e condições domésticas adversas.

Especialistas alertam que os impactos do tarifaço devem continuar influenciando os números nos próximos meses, reforçando a necessidade de estratégias para diversificação de mercados e estímulo à demanda interna.

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