Bolsonaro nega intenção de deixar o país e pede fim da prisão domiciliar
Defesa afirma que rascunho de asilo não se concretizou e critica ações da PF
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira (22) que não houve qualquer pedido formal de asilo político ao presidente da Argentina, Javier Milei, e negou que Bolsonaro tenha planejado fugir do Brasil.
O posicionamento foi enviado após determinação do ministro Alexandre de Moraes para manifestação sobre o documento encontrado no celular do ex-presidente durante buscas realizadas pela Polícia Federal (PF) no mês passado.
“Segundo a PF, o documento estava salvo no aparelho desde 2024.” Informou a Agência Brasil em matéria publicada em 22 de agosto de 2025.
Segundo os advogados, o arquivo era apenas um rascunho, e a solicitação de asilo nunca chegou a ser efetivada.
No mesmo comunicado, a defesa solicitou a revogação da prisão preventiva de Bolsonaro, que cumpre atualmente prisão domiciliar.
“Mesmo com a existência do rascunho, Bolsonaro não tentou fugir. Ele cumpriu todas as decisões do STF, compareceu a todas as audiências e respeitou as restrições de viagem e uso de redes sociais”, afirmou a defesa.
Indiciamento e tramitação
Bolsonaro e seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), foram indiciados pela PF no inquérito que investiga possíveis irregularidades relacionadas às sanções dos Estados Unidos contra o Brasil.
O relatório enviado por Moraes será analisado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá sobre a apresentação de denúncia ao STF.
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Esclarecimentos da defesa
Além do pedido de asilo, a defesa comentou outros pontos do relatório da PF:
Mensagem de Braga Netto: Bolsonaro teria recebido um SMS do general, que estava proibido de contatar o ex-presidente. A defesa afirma que não houve resposta nem irregularidade.
Contato com advogado norte-americano: Trocas de mensagens com Martin Luca, ligado a Donald Trump, ocorreram antes das medidas cautelares, sem violar normas legais.
Movimentações financeiras: Transferências, incluindo envio de recursos lícitos à esposa, foram citadas como indícios de lavagem de dinheiro. Os advogados contestaram a interpretação.
Acusações de “lawfare”
Os advogados acusaram a PF de praticar “lawfare”, estratégia que utilizaria instrumentos legais para prejudicar investigados.
Segundo eles, o relatório teria caráter político, expondo a vida privada de Bolsonaro e apresentando acusações infundadas.
“A peça da Polícia Federal parece ter mais objetivo político do que jurídico, tentando desqualificar um ex-presidente da República com fatos que não se sustentam”, concluiu a defesa.








