PM é filmado colocando objeto na cintura de homem algemado
Vídeo levanta suspeitas sobre abordagem e reacende discussão sobre câmeras corporais na PM de SC

Um vídeo publicado nas redes sociais levantou questionamentos sobre a conduta de uma guarnição da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) durante uma operação na capital na quarta-feira (13).
As imagens mostram um homem rendido, algemado e encostado na parede, quando um policial militar coloca um objeto — aparentemente uma pistola, segundo análise de perito — na cintura dele.
O detido, que segundo a Polícia Federal (PF) teria furtado a residência de um policial federal no bairro Córrego Grande, foi preso em flagrante.
De acordo com as corporações, com ele foram apreendidos um revólver, o computador funcional da PF e outros bens subtraídos da casa da vítima.
A identificação do suspeito ocorreu com auxílio de câmeras de segurança e dados papiloscópicos.
Apesar das notas oficiais confirmarem a prisão e o material apreendido, nem a PM nem a PF comentaram sobre o conteúdo do vídeo.
A íntegra das imagens não foi divulgada pela imprensa, e o nome dos policiais envolvidos na ação não foi informado.
Repercussão e posicionamento da OAB
O caso ganhou repercussão após ser compartilhado por perfis nas redes sociais, incluindo o do vereador Leonel Camasão Cordeiro (PSOL), que anunciou que levará o episódio à Corregedoria da PM.
A Ordem dos Advogados do Brasil em Santa Catarina (OAB/SC), por meio da Comissão de Segurança, Criminalidade e Violência Pública, divulgou nota afirmando que acompanha o caso.
A entidade ressaltou a importância do devido processo legal e do respeito aos direitos e garantias fundamentais, defendendo ainda a retomada do uso de câmeras corporais na PM.
“O equipamento é uma ferramenta essencial para assegurar a transparência e a legalidade nas abordagens, contribuindo para o esclarecimento imediato de situações como a retratada”, destacou a presidente da comissão, Camila da Silveira Cardoso.
Debate sobre câmeras corporais
Santa Catarina foi pioneira no uso de câmeras acopladas aos uniformes policiais em 2019, servindo de exemplo para outros estados.
No entanto, o programa foi encerrado em setembro de 2024 após recomendação do Estado-Maior da PMSC, que alegou problemas técnicos, falta de manutenção, limitações de armazenamento, instabilidade no acionamento e custos financeiros.
A suspensão, que já gerava críticas de entidades de direitos humanos, voltou ao centro do debate com a divulgação do vídeo.
Para a OAB/SC, o retorno da tecnologia pode reforçar a confiança da população nas instituições e reduzir a margem para dúvidas em casos sensíveis.
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Investigação em andamento
A Polícia Federal informou que investigará as circunstâncias da abordagem registradas no vídeo. Até o momento, não há previsão para conclusão do inquérito.
O suspeito permanece à disposição da Justiça, preso por furto qualificado.
Enquanto isso, o episódio adiciona combustível à discussão sobre segurança pública, transparência e os limites da atuação policial em Santa Catarina.









