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Exportações em crise: 7 em cada 10 indústrias catarinenses projetam demissões após tarifa dos EUA

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Florianópolis, 31.07.25 – A tarifa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelos Estados Unidos ainda nem entrou em vigor, mas já causa estragos em Santa Catarina.

Segundo pesquisa da Federação das Indústrias do Estado (FIESC), 69,23% das indústrias exportadoras catarinenses relataram queda nos pedidos vindos do mercado norte-americano.

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A situação acende o alerta para demissões em massa: 72,1% das empresas consultadas afirmam que pretendem cortar vagas nos próximos seis meses se a medida for mantida.

Os dados refletem a insegurança causada desde o anúncio da tarifa, feito em 9 de junho. Apesar de a aplicação começar apenas no dia 6 de agosto, mais da metade das indústrias (53,84%) já suspendeu embarques, e 38,46% receberam pedidos de renegociação de preços dos clientes nos EUA.

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A situação é tão grave que 17,7% das empresas já concederam férias coletivas aos funcionários.

“Estamos diante de um cenário que exige respostas rápidas e firmes. A perda de receita combinada com o endividamento das empresas pode afetar diretamente os níveis de emprego em Santa Catarina”, alerta Pablo Bittencourt, economista-chefe da FIESC.

Ele aponta ainda que 61,4% das exportadoras começaram a buscar novos mercados internacionais para reduzir a dependência dos Estados Unidos.

Os efeitos no faturamento também preocupam: 93,8% das exportadoras preveem queda de receita, e mais da metade delas (51,2%) estimam perdas superiores a 30%.

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Com as tarifas mantidas, 29,5% das indústrias afirmam que devem demitir mais de 30% dos seus quadros; 22,5% projetam cortes entre 10% e 20%; e 21,7% preveem demissões de até 10% do efetivo.

A FIESC já iniciou articulações com o governo federal e estadual. Reuniões foram realizadas com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, para discutir alternativas e minimizar os impactos do “tarifaço”.

Produtos mais atingidos

Apesar de uma lista extensa de exceções no decreto norte-americano publicado nesta semana, a maioria dos produtos exportados por SC não está isenta da tarifa.

Entre os mais afetados estão os setores de madeira, móveis e derivados, que ainda aguardam o resultado de uma investigação nos EUA (Seção 232), mas seguem tarifados com as alíquotas anteriores.

Já os veículos e autopeças, segundo item mais exportado por Santa Catarina para os EUA, não sofrerão com a sobretaxa de 50%, pois permanecem com a tarifa padrão de 25%, aplicada globalmente.

Mesmo assim, especialistas da FIESC alertam que cada empresa deve avaliar detalhadamente a lista de exceções e a classificação tarifária dos seus produtos conforme as normas da Comissão de Comércio Internacional norte-americana.

“Estamos lidando com um cenário muito complexo e específico. Há produtos dentro de um mesmo setor que são isentos e outros que não. A recomendação é que cada indústria analise minuciosamente o enquadramento de sua pauta de exportação”, reforça Maria Teresa Bustamante, presidente da Câmara de Comércio Exterior da FIESC.

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