Política

EUA decidem queimar contraceptivos de quase US$ 10 milhões destinados a países pobres

ONG denuncia desperdício e impacto humanitário.

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A administração do presidente Donald Trump autorizou a destruição de aproximadamente US$ 9,7 milhões em contraceptivos financiados pelos Estados Unidos, incluindo implantes, pílulas e dispositivos intrauterinos adquiridos por meio da USAID e armazenados na Bélgica desde a interrupção da ajuda externa, iniciada em janeiro de 2025.

A incineração dos produtos, programada para ocorrer na França, terá um custo superior a US$ 167 mil aos cofres públicos.

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A justificativa oficial baseia-se na chamada Mexico City Policy, que proíbe o financiamento a organizações que ofereçam, promovam ou façam referência ao aborto como método de planejamento familiar. Mesmo com propostas de organizações não governamentais e da ONU para assumir os custos de transporte, reembalagem e importação, o governo recusou-se a redistribuir os materiais.

Entidades como a International Planned Parenthood Federation (IPPF) e defensores dos direitos sexuais classificaram a decisão como um “ato intencional de coerção reprodutiva”, criticando o desperdício diante da crise global de saúde sexual e reprodutiva, especialmente em regiões vulneráveis, como campos de refugiados e zonas de conflito na África.

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Senadores democratas apresentaram projetos de lei para impedir a destruição dos produtos, mas os esforços legislativos devem ocorrer tarde demais para evitar a incineração.

O episódio reflete uma reestruturação mais ampla da política externa norte-americana sob a gestão Trump, marcada pela desativação progressiva da USAID e pela implementação da política “America First”, que prioriza interesses domésticos e ideológicos em detrimento de ações humanitárias internacionais de longo prazo.

Especialistas alertam para os impactos severos da medida: a escassez de métodos contraceptivos pode provocar aumento de gestações não planejadas, abortos inseguros, complicações maternas e até milhões de mortes evitáveis nos países em desenvolvimento até 2030.

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Além disso, o congelamento de cerca de US$ 12 milhões em ajuda humanitária — também promovido pela gestão Trump — afetou o envio de medicamentos essenciais, incluindo antirretrovirais usados na prevenção do HIV. Muitos desses insumos permanecem armazenados, sem uso, na Bélgica e nos Emirados Árabes Unidos desde o início de 2025, tornando-se obsoletos ou próximos da data de vencimento.

A recusa do governo em cooperar com instituições como o MSI Reproductive Choices, que se ofereceram para adquirir, reembalar e distribuir os produtos em países necessitados, foi atribuída à exigência de pagamento e à remoção dos logotipos da USAID antes da redistribuição.

Para especialistas em saúde pública, a destruição dos contraceptivos representa não apenas um desperdício financeiro, mas também uma decisão ideológica que fere direitos fundamentais à saúde e à autonomia reprodutiva.

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