Barreto e Kátia revelam no Mistukenti: o que o GPS não mostra nas viagens de moto, bike e motorhome

No novo episódio do podcast Mistukenti, o casal timboense Alexandre Barreto e Kátia compartilhou vivências que vão muito além do roteiro tradicional de quem viaja de motorhome.
A dupla já percorreu boa parte do Sul do Brasil, cruzou a fronteira do Paraguai, se virou com a ajuda de estranhos em situações apertadas e hoje defende uma forma mais simples e mais livre de viver — com rodas no pé e tempo no coração.
“Todo mundo achava que a gente tava maluco”, brincou Barreto ao relembrar a reação de amigos quando contou que iriam entrar no Paraguai com o motorhome. “Mas quando voltamos, todo mundo queria saber como foi. Aí muda, né?”
A viagem aconteceu recentemente. O casal passou por Foz do Iguaçu e decidiu estender o roteiro rumo a Encarnación, já em território paraguaio.
Segundo eles, o que encontraram por lá foi surpreendente: cidades limpas, organizadas, seguras e acolhedoras — em contraste com a imagem estereotipada que muitos brasileiros ainda têm do país vizinho.
“Encarnación foi uma surpresa maravilhosa”, contou Kátia durante o episódio. “A cidade é toda planejada, cheia de parques, gente educada, trânsito respeitoso. Sabe o que eu senti? Que a gente tinha voltado pro Timbó de 20 anos atrás. Aquela paz, aquela tranquilidade.”
E não foi só a qualidade de vida que chamou a atenção. Os preços dos terrenos também impressionaram. Barreto contou que, em uma área próxima da fronteira, viu anúncios oficiais com valores em torno de R$ 11 mil por 13 hectares — algo em torno de 130 mil metros quadrados.
“Eu achei que era pegadinha. Mas tava lá no site da prefeitura. É terra que não acaba mais”, comentou, entre risos.
A conversa no Mistukenti também passou por outros episódios marcantes. Um deles envolveu um perrengue típico de quem viaja confiando demais no GPS.
“A gente queria cortar caminho em SC, ali por Vidal Ramos, e o GPS mandou por uma estrada de chão horrorosa. Só ladeira, barro, e a gente com aquele motorhome grande. Teve uma hora que falei: ‘não dá mais’. A gente teve que dormir no pátio de um posto e contar com a boa vontade do povo da região. Foi assim que a gente aprendeu: perguntar sempre antes de confiar no mapa digital”, contou Barreto.

Os dois também falaram sobre como a vida sobre rodas transformou a relação com o tempo e com o consumo.
“A gente aprende a viver com menos. O que você carrega ali dentro é o essencial. E o tempo passa diferente. Não tem aquela pressa, aquele relógio batendo na cabeça. É só você e a estrada”, disse Kátia.
E se engana quem pensa que a aventura começou agora. Antes do motorhome, o casal já tinha caído na estrada de moto e, depois, encarado uma cicloviagem de três meses até o Uruguai — pedalando desde Timbó.
A paixão por viajar é antiga, mas hoje tem outro ritmo. “Eu não gosto de BR. Tem muito caminhão, muito estresse. A gente prefere estrada vicinal, interiorzão. É mais bonito, mais tranquilo e, às vezes, rende histórias melhores”, disse Barreto.
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Para quem sonha em seguir esse estilo de vida, eles deixaram algumas dicas práticas. Usar aplicativos como iOverlander ou Park4Night para encontrar pontos de apoio gratuitos e seguros, evitar o litoral em alta temporada, e sempre conversar com moradores locais antes de seguir por caminhos desconhecidos.
“Tem muita gente que acha que precisa de muito dinheiro pra viver isso. Mas com planejamento, boa vontade e espírito aberto, dá sim. Já ficamos em posto com chuveiro limpinho e lugar tranquilo. É só saber procurar”, completou Barreto.
O episódio completo com Alexandre Barreto e Kátia já está disponível no YouTube do Mistukenti; confira
Mais do que um relato de estrada, a conversa é um respiro em meio à correria — e um convite para olhar com mais curiosidade para o mapa, inclusive para o lado que poucos olham: o do interior, o da fronteira, o da estrada de chão batido.










