Deputado Lunelli critica aumento de cadeiras na Câmara: “R$ 95 milhões por ano jogados fora”
“Não é de mais políticos que o Brasil precisa, é de mais eficiência”, dispara o parlamentar catarinense

O deputado estadual Antídio Lunelli (MDB) fez duras críticas à decisão do Senado de aprovar um projeto que expande o número de parlamentares na Câmara dos Deputados.
Segundo ele, a medida, que também poderá gerar aumento nas Assembleias Legislativas dos estados, representa um retrocesso administrativo e um desrespeito com o contribuinte.
“O Brasil não precisa de mais políticos. Precisa é de mais seriedade na aplicação dos recursos públicos”, disparou Lunelli, destacando que o impacto financeiro previsto com a mudança é de aproximadamente R$ 95 milhões por ano, valor que poderia ser investido em áreas carentes como saúde, educação e infraestrutura.
A proposta eleva de 513 para 538 o total de deputados federais. Na visão do parlamentar catarinense, essa ampliação não contribui em nada para a melhoria da representatividade, mas apenas aumenta os custos da máquina pública.

“É uma estrutura que já funciona mal e agora querem torná-la ainda mais pesada. Isso não resolve os problemas da população, apenas os da classe política”, criticou.
Lunelli já adiantou que, se o projeto avançar e chegar à Assembleia Legislativa de Santa Catarina, será contra qualquer tentativa de inflar o número de cadeiras no parlamento estadual.
“Sou veementemente contra o crescimento do Legislativo sem justificativa clara. Isso só aumenta a folha de pagamento e os cargos comissionados. Quem paga essa conta é o povo, que não vê retorno.”
O deputado ainda questionou o momento escolhido para aprovar uma pauta como essa. “Num país onde ainda faltam leitos hospitalares, professores em sala de aula e rodovias decentes, o Congresso prefere discutir aumento de vagas para políticos. Isso mostra uma total desconexão com a realidade dos brasileiros”, apontou.
Segundo ele, o tamanho da bancada não garante qualidade legislativa.
“Se mais de 500 deputados não conseguem dar conta do recado, aumentar esse número não vai resolver. A política precisa de compromisso, não de mais cadeiras.”
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Proposta amplia, mas não redistribui
O texto aprovado no Senado surgiu com o argumento de corrigir a defasagem entre a população dos estados e sua representação no Congresso, algo previsto na Constituição. No entanto, a correção virou acréscimo: em vez de redistribuir, aumentaram o total de cadeiras.
Com isso, todos os estados mantêm suas vagas atuais, enquanto alguns, como Santa Catarina, ganham mais deputados. O problema, segundo críticos, está no custo: a mudança pode gerar um acréscimo de R$ 95 milhões anuais, sem contar os efeitos colaterais nos legislativos estaduais, que poderão seguir o mesmo caminho e ampliar suas estruturas.
Na prática, o projeto resulta em mais políticos e mais gastos, sem que isso represente uma melhoria efetiva nos serviços públicos ou na qualidade da representação.








