Temor após deslizamento motiva isolamento de área em obra na Via Expressa, em Blumenau

Temor após deslizamento motiva isolamento de área em obra na Via Expressa, em Blumenau

Movimentação de terra ocorreu no mesmo local onde três trabalhadores morreram soterrados em março deste ano.

Parte da área onde está sendo construído um hotel às margens da Via Expressa, em Blumenau, foi interditada preventivamente na tarde de terça-feira, 24 de setembro. O isolamento ocorreu após o deslocamento de um bloco de concreto sobre a encosta do morro por conta da intensa chuva dos últimos dias. A obra é no mesmo local onde três trabalhadores morreram em março, vítimas de deslizamento de terra.

A reportagem do Santa foi ao local ontem de manhã, após denúncia de um funcionário que alegava insegurança na obra por ter sido obrigado a trabalhar embaixo do talude onde ocorreu o deslocamento do bloco de concreto. De acordo com o trabalhador, que não quis se identificar, havia temor entre os empregados que ocorresse outro deslizamento de terra enquanto estavam próximos da encosta.

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Estamos tendo de trabalhar de forma arriscada. Tem risco de as pedras caírem ou de outra tragédia acontecer com um deslizamento. O lar de famílias pode ser destruído por um descuido. A gente quer trabalhar, mas não podemos colocar a nossa vida em risco – desabafou.

O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário (Siticom) de Blumenau esteve no local à tarde para verificar a denúncia. Os funcionários foram orientados a não permanecerem próximos daquele ponto da encosta, sendo que o engenheiro da obra concordou em isolar o local para evitar que os trabalhadores fossem atingidos pela queda de algum material.

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O fiscal do Siticom Ivaldo José Bartocz esteve na obra fazendo levantamento da situação para evitar que os funcionários fiquem expostos a algum risco. Ele afirma que finalizou um relatório sobre a condição do local e que notificou a Defesa Civil, que é o órgão responsável por emitir o laudo sobre a condição de trabalho da obra.

Há risco de uma nova tragédia se houver um deslizamento na parte de cima (da encosta). Mas isso cabe à Defesa Civil fazer o seu trabalho. A nossa parte é proteger o trabalhador, então orientamos para que não fiquem embaixo daquele local – alega.

Foto: Patrick Rodrigues

Pedido para interdição

O advogado do Siticom, César Narciso Deschamps, afirma que irá encaminhar nesta quarta-feira solicitação de interdição da obra ao Ministério Público do Trabalho e ao Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest).

Está visível que não há questões de segurança. Há possibilidade de irmos lá e orientarmos que (os funcionários) não trabalharem enquanto não houver nova fiscalização do Cerest.

A Secretaria Municipal de Promoção da Saúde, órgão ao qual a Cerest é vinculada, afirmou por nota que recebeu a denúncia e acompanha o caso. A previsão é que técnicos da fiscalização retornem quarta-feira para verificar a situação de trabalho.

Por nota, o departamento de Geologia afirmou que visitará o local nesta quarta.

O que diz a empresa

A Beluga Estruturadora de Negócios, responsável pela obra, admite que houve deslocamento da placa de concreto projetado, colocada para impermeabilizar a área, após a chuva dos últimos dias. E que o encarregado tinha no planejamento isolar a área, após conversa com todos os trabalhadores no domingo, para que ninguém trabalhasse naquele local.

Também admite que tinha a informação de que um funcionário alegava que o encarregado exigia que os empregados trabalhassem na área de risco. Todavia, afirma que os funcionários são contratados por empresa terceirizada e que não foi autorizado que trabalhassem em área de risco, assim como em nenhum momento deixaram de ser assistidos por um responsável técnico.

Após o deslocamento da placa, a empresa iniciou laudo e projeto para ter novamente a segurança necessária naquele ponto específico, que fica sobre o centro da encosta. Não há informação ainda se haverá novo bloco de concreto projetado ou outra estabilização. Ainda não há prazo para a conclusão desse projeto. Também reafirma que não há risco aos trabalhadores e que o restante da encosta está estabilizado, com acompanhamento de geólogo. Por fim, ressalta que o projeto foi aprovado pela Defesa Civil e que tomará outra medida de segurança.

 

Fonte: NSC | Por Gabriel Lima | Foto: Patrick Rodrigues
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