Moradores enfrentam filas para comprar água mineral sob escolta policial após ameaças de facção
A facção exigia autorização e cobrava taxas dos comerciantes para vender água.

Ameaças atribuídas à facção criminosa Comando Vermelho alteraram a rotina dos moradores de Banabuiú, no Sertão Central do Ceará. Com medo de represálias, comerciantes suspenderam a venda de água mineral, obrigando a população a recorrer a um esquema emergencial de distribuição, realizado com escolta policial.
A situação começou depois que mensagens com ameaças e cobranças passaram a circular no município a partir de 19 de outubro. Conforme informações divulgadas pelo G1, os criminosos exigiam autorização da facção para a comercialização e a distribuição de água, além de impor pagamentos aos comerciantes.
Entre os valores relatados estão R$ 200 para manter estabelecimentos abertos, R$ 750 por semana para vender garrafões e uma cobrança de R$ 1,50 por unidade comercializada.
Diante da suspensão das vendas, moradores precisaram buscar alternativas para conseguir água. Parte da população chegou a consumir água diretamente do açude municipal, mas, sem tratamento adequado para consumo humano, o uso provocou problemas de saúde, segundo relatos apresentados na reportagem do G1.
Para evitar que a população ficasse sem água mineral, foi organizada uma operação emergencial, iniciada no sábado (31) e retomada na terça-feira (3), com apoio logístico da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) e acompanhamento policial.
A distribuição ocorreu na praça da igreja matriz, onde os moradores aguardaram a chegada dos caminhões para comprar os garrafões. Inicialmente, o limite era de três unidades por pessoa, mas foi reduzido para duas, como forma de garantir que mais famílias tenham acesso ao produto.
Cada garrafão é vendido por R$ 6, mesmo preço praticado normalmente pelos fornecedores. Segundo a Prefeitura, aproximadamente mil unidades são disponibilizadas por dia. A operação não tem prazo definido para encerramento.
Venda nos comércios deve ser retomada
Na manhã da última quarta-feira (4), a Prefeitura anunciou uma nova etapa para normalizar o abastecimento. A previsão é que os comerciantes voltem a vender água mineral, com o transporte dos garrafões até os estabelecimentos realizado com apoio da Cagece.
Conforme o comunicado divulgado pela administração municipal, a retomada estava prevista para o início da tarde. Os moradores foram orientados a procurar seus fornecedores para solicitar as entregas.
Apesar das dificuldades envolvendo a comercialização de água mineral, o abastecimento pelas torneiras não foi interrompido. A água distribuída pela rede municipal vem do açude de Banabuiú e passa por tratamento antes de chegar às residências.
De acordo com informações apresentadas pelo G1, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) garante que a água encanada atende às condições de potabilidade e pode ser consumida.
A preferência pela água mineral, portanto, está relacionada ao hábito dos moradores de utilizá-la para beber e preparar alimentos.
Os serviços públicos também seguem funcionando. A administração municipal informou que utiliza equipamentos de dessalinização para garantir o fornecimento de água a escolas, hospitais, secretarias e outros espaços públicos.
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Investigação aponta cobrança de valores por integrantes da facção
As ameaças teriam sido organizadas por integrantes do Comando Vermelho, por meio de mensagens identificadas como um tipo de comunicado chamado de “Edital Banabuiú”.
Segundo as investigações, as ordens partiam de uma liderança que estaria no Rio de Janeiro, na comunidade da Rocinha, e eram executadas por comparsas que atuavam na região.
Três homens foram presos em 22 de outubro, apontados como responsáveis por recolher o dinheiro exigido dos comerciantes. Durante a ação, foram apreendidos um revólver calibre 38, munições, seis celulares, um notebook e dinheiro.
Conforme informações da Secretaria da Segurança Pública do Ceará divulgadas pelo G1, os suspeitos permanecem presos e as investigações continuam, inclusive com apoio da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Também existem novos mandados de prisão em aberto.
Policiamento foi reforçado no município
Após as ameaças, as forças de segurança ampliaram a presença policial em Banabuiú. A operação envolve equipes especializadas da Polícia Militar, incluindo o Batalhão Especializado em Policiamento do Interior (BEPI), o CPRaio e o Copac.
A Secretaria da Segurança Pública avalia que a situação está sob controle em razão do reforço policial e das ações de investigação e inteligência. Ainda assim, parte dos comerciantes permanece receosa de retomar as atividades normalmente.
O policiamento deverá continuar no município pelo período considerado necessário pelas autoridades. Enquanto isso, a operação emergencial busca garantir que os moradores tenham acesso à água mineral até que o comércio consiga funcionar sem as ameaças.










