Notícias do Brasil

Fim da escala 6×1 pode elevar custos da construção e dificultar acesso à casa própria

Clique e saiba mais!
Garanta já o seu!

A redução da jornada semanal de trabalho prevista no fim da escala 6×1 pode exigir mudanças na organização dos canteiros de obras e na contratação de profissionais da construção civil. Após a aprovação da proposta pelo Senado Federal, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) voltou a alertar para os possíveis efeitos da medida sobre os custos do setor habitacional.

Segundo estudo da entidade, para manter o atual nível de atividade com a jornada reduzida de 44 para 40 horas semanais, a construção civil precisaria contratar aproximadamente 288 mil trabalhadores adicionais. A estimativa considera a necessidade de compensar as horas de trabalho que deixariam de ser realizadas com a mudança.

Saiba mais!

A CBIC também calcula que os custos com mão de obra podem aumentar em até 15%, dependendo da alternativa adotada pelas empresas. Caso a reposição das horas ocorra por meio de novas contratações, o gasto adicional anual chegaria a R$ 13,5 bilhões, incluindo encargos previdenciários e trabalhistas básicos.

Falta de profissionais é um dos desafios apontados

A dificuldade de encontrar trabalhadores para preencher novas vagas é uma das principais preocupações apresentadas pela entidade. O setor já enfrenta problemas relacionados à disponibilidade de mão de obra qualificada e não qualificada, o que pode dificultar uma adaptação rápida às novas regras.

Faça seu orçamento - Clique aqui

A economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, afirma que a redução da jornada representaria 208 horas anuais a menos por trabalhador formal, considerando a estimativa utilizada pela entidade. O vice-presidente de Política de Relações Trabalhistas da instituição, David Fratel, também chama a atenção para a informalidade no setor, que, segundo ele, envolve cerca de 5 milhões de trabalhadores.

A entidade avalia que as empresas teriam diferentes alternativas para compensar a redução das horas trabalhadas: ampliar o quadro de funcionários, recorrer a horas extras dentro dos limites legais ou reorganizar a atividade produtiva. Cada opção apresenta custos e desafios operacionais distintos.

Preço dos imóveis e habitação popular entram no debate

Os possíveis efeitos sobre o mercado imobiliário também estão entre os pontos levantados pela CBIC. De acordo com a entidade, a mão de obra representa uma parcela significativa do custo de construção, especialmente em empreendimentos de habitação popular.

Em levantamento divulgado em maio de 2026, a instituição informou que 84,5% das empresas consultadas esperavam aumento no preço final dos imóveis caso a jornada fosse reduzida. O percentual representa a percepção das empresas ouvidas, e não uma confirmação de que os preços necessariamente subirão nessa proporção.

A CBIC também aponta possíveis consequências para o cronograma das obras e para a oferta de moradias. Esses efeitos, porém, dependerão da capacidade de adaptação das empresas, da disponibilidade de profissionais, dos ganhos de produtividade e das condições econômicas durante a implementação da mudança.

>>>Leia também: Maior da história de SC: governo lança edital para construção da VIAMAR

O que prevê a proposta aprovada pelo Senado

A PEC 221/2019 foi aprovada pelo Senado em 14 de outubro, em dois turnos, com 75 votos favoráveis e um contrário em cada votação. O texto prevê o fim da escala 6×1, com dois dias de descanso remunerado por semana e redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial.

A transição está prevista em duas etapas: a jornada semanal passa para 42 horas dois meses após a publicação da emenda constitucional e chega a 40 horas após um ano e dois meses. O texto também prevê jornada diária de até oito horas, com possibilidade de compensação de horários e ajustes por negociação coletiva, conforme as condições estabelecidas na proposta.

Com a aprovação no Senado, a proposta segue para promulgação pelo Congresso Nacional. A implementação gradual dará às empresas um período para reorganizar escalas, avaliar necessidades de contratação e ajustar o planejamento das atividades.

O debate sobre os efeitos econômicos da mudança continua envolvendo representantes do setor produtivo e defensores da redução da jornada. Enquanto a construção civil aponta desafios relacionados aos custos e à disponibilidade de profissionais, os impactos concretos sobre obras e preços dependerão de como a nova regra será implementada e de como o setor responderá às mudanças.

CLIQUE PARA ENTRAR

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo