Alerta na vacinação: Ministério da Saúde interrompe uso de vacina contra dengue do Butantan
Mais de 3,7 mil vacinados relataram sintomas semelhantes aos da dengue após a imunização.
A estratégia de vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan foi interrompida temporariamente pelo Ministério da Saúde. A medida, anunciada nesta segunda-feira (8), ocorre após a identificação de três eventos adversos graves entre cerca de 500 mil pessoas vacinadas no país. Dois desses casos evoluíram para morte e seguem sendo analisados pelas autoridades de saúde.
A suspensão tem caráter preventivo e permanecerá em vigor enquanto são conduzidas investigações pelo Ministério da Saúde, pela Anvisa e pelo próprio Instituto Butantan. Até o momento, não há comprovação de que os episódios estejam diretamente relacionados à vacina, mas o governo decidiu adotar cautela antes de avançar com novas etapas da campanha.
Considerada um marco para a ciência nacional, a vacina do Butantan é a primeira do mundo contra a dengue aplicada em dose única e totalmente produzida no Brasil. O imunizante vinha sendo utilizado em projetos de vacinação em municípios de São Paulo, Minas Gerais e Ceará, além de atender profissionais da atenção primária à saúde e populações de áreas com alta circulação da doença, como a região de Araguaína, no Tocantins.
Dados do monitoramento apontam que mais de 3,7 mil pessoas relataram sintomas semelhantes aos da dengue após a imunização. Entre essas notificações, 42 apresentaram sinais de alerta, incluindo dores abdominais intensas, vômitos persistentes e sangramentos. Os casos estão sendo avaliados para determinar se possuem relação com a vacina ou com outros fatores.
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As autoridades orientam que quem recebeu a dose há menos de 21 dias fique atento ao surgimento de sintomas e procure atendimento médico caso apresente sinais de agravamento. O Ministério da Saúde reforçou, porém, que as pessoas já imunizadas continuam protegidas contra os quatro sorotipos do vírus da dengue.
Em manifestação oficial, o Instituto Butantan afirmou que a interrupção foi adotada por precaução e destacou que os estudos realizados antes da liberação do imunizante demonstraram eficácia de 79,6% contra a doença e de 89% contra formas graves.
A instituição também informou que seguirá colaborando com as investigações e fornecendo dados às autoridades sanitárias para esclarecer os casos registrados.









