Santa Catarina lidera geração hidrelétrica de pequeno porte e projeta 174 novas usinas
Estado concentra mais de 22% das pequenas hidrelétricas do Brasil e aposta em novos investimentos para ampliar a oferta de energia limpa nos próximos anos

Santa Catarina se consolidou como o estado brasileiro com o maior número de pequenas hidrelétricas em operação.
Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostram que o território catarinense reúne 255 Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs), o equivalente a 22,3% de todas as unidades em funcionamento no país.
Na prática, uma em cada cinco pequenas hidrelétricas brasileiras está instalada em Santa Catarina.
O estado aparece na liderança nacional, à frente de Minas Gerais, com 205 unidades, e Mato Grosso, que soma 131 empreendimentos.
A força do setor está diretamente ligada à geografia catarinense e ao potencial hídrico dos rios espalhados pelo estado.
A maior concentração de usinas está nas regiões Oeste, com 91 unidades, e Meio-Oeste, com 52. Também há empreendimentos no Vale do Itajaí (36), Sul (24), Norte (23), Grande Florianópolis (18) e Serra (11).
Além da liderança nacional, Santa Catarina se prepara para ampliar ainda mais sua participação no setor energético.
Atualmente, pelo menos 174 novas PCHs e CGHs estão em fase de projeto, licenciamento ou construção e fazem parte do Programa Energia Boa, iniciativa do Governo do Estado voltada à ampliação da infraestrutura energética e ao estímulo de investimentos privados.
Segundo o secretário adjunto de Estado de Indústria, Comércio e Serviços, Edgard Usuy, o programa tem contribuído para tornar Santa Catarina referência nacional na geração de energia limpa.
De acordo com ele, o estado, mesmo ocupando apenas cerca de 1% do território brasileiro, alcançou destaque nos leilões de energia promovidos pela Aneel, demonstrando a competitividade do setor energético catarinense.
A expectativa é de que pelo menos 100 dessas novas usinas iniciem suas obras até 2027.
O programa atua na aceleração de processos como licenciamento ambiental, autorizações e outorgas, reduzindo a burocracia e dando mais agilidade aos investimentos.
Atualmente, as 255 PCHs e CGHs em operação possuem capacidade instalada próxima de 1 gigawatt (GW), o que representa cerca de 20% de toda a capacidade de geração de energia de Santa Catarina, considerando fontes hidráulicas, térmicas, solares e eólicas.

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Com a entrada dos novos projetos, a capacidade instalada desse segmento poderá ultrapassar 2,5 GW, mais que dobrando a produção atual.
O planejamento prevê que muitas dessas unidades entrem em operação após 2030, reforçando a segurança energética do estado para as próximas décadas.
Para viabilizar essa expansão, o Governo de Santa Catarina e a Celesc anunciaram um investimento de R$ 411 milhões no Planalto Serrano.
Os recursos serão destinados à construção de três novas subestações e linhas de transmissão, estruturas consideradas fundamentais para conectar futuras usinas ao sistema elétrico.
Entre os projetos beneficiados está a PCH Santo Cristo, localizada em Capão Alto, na Serra Catarinense.

Inicialmente projetada para comercializar energia com o Rio Grande do Sul, a usina passou a ter viabilidade para atender também o mercado catarinense graças à implantação de uma nova subestação em Lages.
As pequenas hidrelétricas são consideradas estratégicas por aliarem geração de energia renovável, desenvolvimento regional e menor impacto ambiental.
As CGHs possuem capacidade de até 5 megawatts (MW), enquanto as PCHs operam entre 5 MW e 30 MW. Empreendimentos acima desse limite são classificados como Usinas Hidrelétricas (UHEs).
Além da menor capacidade instalada, essas estruturas exigem áreas reduzidas de alagamento — em alguns casos sem necessidade de reservatórios, o que reduz impactos sociais e ambientais em comparação às grandes barragens.
Com novos investimentos previstos e centenas de projetos em andamento, Santa Catarina reforça sua posição como um dos principais polos de geração de energia limpa do Brasil e se prepara para ampliar significativamente sua capacidade energética nos próximos anos.











