Peça-chave da investigação: depoimento de médico pode definir caso de grávida e bebê mortos após atendimentos em SC
A Polícia Civil aguarda os laudos da perícia técnica para concluir se houve falha nos atendimentos.

A investigação sobre a morte da jovem grávida Maria Luiza Bogo Lopes, de 18 anos, e do bebê que ela esperava entra em uma fase decisiva com o depoimento de um dos médicos envolvidos no atendimento. A oitiva, considerada a mais relevante do inquérito, deve ajudar a esclarecer o que ocorreu durante as passagens da paciente pelo Hospital Beatriz Ramos.
O responsável pelo caso, o delegado Ícaro Malveira, afirmou que, após a conclusão das diligências, será feita uma análise detalhada da conduta de cada profissional para verificar possíveis responsabilidades.
Antes disso, a polícia já reuniu uma série de relatos, incluindo o de uma enfermeira que atendeu a jovem em um posto de saúde no bairro Tapajós. Segundo o depoimento, Maria Luiza chegou à unidade em estado preocupante, com sinais como cansaço intenso, manchas pelo corpo e desidratação severa. Diante da gravidade, ela foi encaminhada com urgência ao hospital.
Outros médicos também foram ouvidos, mas apenas como testemunhas em atendimentos considerados sem indícios iniciais de falhas, enquanto os profissionais ligados aos atendimentos intermediários seguem sob análise.
O histórico reconstruído pela investigação aponta que a jovem buscou atendimento médico quatro vezes em poucos dias. Nos primeiros contatos, exames foram realizados e não indicaram problemas evidentes.
No entanto, em uma das consultas seguintes, exames já apontavam alteração nas plaquetas, o que, segundo a apuração, poderia justificar internação, especialmente por se tratar de uma gestante com diagnóstico de diabetes gestacional.
O momento mais sensível do caso, porém, ocorreu durante um atendimento na madrugada de 2 de abril. Conforme a polícia, não foram solicitados exames laboratoriais nessa ocasião, e a paciente foi medicada e liberada. Pouco tempo depois, o quadro se agravou rapidamente, levando a jovem a procurar novamente ajuda médica.
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Em estado crítico, Maria Luiza foi levada de volta ao hospital e, diante da gravidade, transferida para o Hospital Santo Antônio, onde passou por uma cesariana de emergência. O bebê, com 28 semanas, nasceu sem vida, e a jovem morreu cerca de uma hora e meia depois.
A causa das mortes foi confirmada como dengue hemorrágica. Agora, a Polícia Civil aguarda os laudos da perícia técnica para concluir se houve falha nos atendimentos. Caso isso seja comprovado, os envolvidos poderão responder criminalmente.
Enquanto isso, o hospital informou que afastou de forma preventiva o médico responsável pelo atendimento considerado mais crítico, destacando que a medida não implica culpa antecipada.










