Trote com cachorro comunitário em universidade de SC provoca revolta e mobiliza investigação interna
Cachorro é exposto a riscos de saúde e repercussão envolve estudantes e entidades

Um cachorro comunitário que vive no campus da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), em Criciúma, tornou-se o centro de uma polêmica após ser pintado com tinta azul em regiões sensíveis do corpo, como cabeça, orelhas, ânus e cauda.
O episódio, que pode ter ocorrido durante um trote de calouros, provocou ampla repercussão e motivou a instituição a abrir uma investigação interna por maus-tratos.
Segundo relatos de voluntários da causa animal, publicados no dia 27 de março, a situação coloca em risco a saúde do animal, que pode sofrer desde reações alérgicas e intoxicação até complicações mais graves, especialmente ao tentar se limpar.
O caso foi denunciado nas redes sociais e gerou a nota de repúdio dos voluntários da causa animal, que reforça a necessidade de mais responsabilidade em atividades acadêmicas que envolvam seres vivos.
A Unesc, em nota oficial divulgada no domingo (29), destacou que o incidente teria ocorrido fora das dependências físicas da universidade, mas que já iniciou um procedimento interno para apurar os fatos e identificar possíveis responsabilidades.
A instituição reforçou ainda que não compactua com trotes que não sejam solidários e alinhados a princípios éticos, e que práticas desse tipo são expressamente proibidas pelo regimento interno.

Nota de repúdio da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc)
“A Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) vem a público manifestar-se sobre os fatos recentemente divulgados nas redes sociais, envolvendo a realização de um possível trote entre estudantes, ocorrido fora dos limites físicos da instituição.
A Unesc lamenta profundamente o ocorrido, especialmente no que se refere à situação envolvendo um animal, e reforça que não coaduna com trotes de qualquer natureza que não sejam solidários e alinhados aos princípios éticos. Ressaltamos que práticas dessa natureza são expressamente vedadas pelo regimento institucional, em consonância com os princípios que orientam uma universidade comunitária comprometida com o respeito, a ética e a responsabilidade social.
Embora o episódio tenha ocorrido fora do ambiente universitário, a Instituição informa que está em andamento a averiguação dos fatos, bem como a análise de possíveis irregularidades envolvendo estudantes desta universidade. Para tanto, foi instaurado procedimento de apuração interna, com o objetivo de esclarecer a situação de forma rigorosa e responsável.
A Universidade reafirma seu compromisso com a promoção de uma cultura de acolhimento, respeito à vida em todas as suas formas e convivência responsável entre os estudantes, valores que orientam suas práticas acadêmicas e institucionais.
Por fim, reforçamos que eventuais medidas cabíveis serão adotadas com responsabilidade, observando o devido processo legal e os princípios institucionais.”
Entidade acadêmica esclarece que não tem relação com o caso
A Associação Atlética Acadêmica de Psicologia Tritão se posicionou oficialmente, negando qualquer envolvimento no episódio e esclarecendo que a recepção de calouros organizada pela entidade ocorreu em outro local, sem relação com o cachorro pintado.
A entidade afirmou que está empenhada em identificar os responsáveis e reforçou seu compromisso com ações responsáveis e respeitosas no ambiente universitário.
Nota de repúdio da Associação Atlética Acadêmica de Psicologia Tritão
“A Associação Atlética Acadêmica de Psicologia Tritão vem, por meio desta, manifestar seu mais profundo repúdio ao ocorrido no dia 26/03, envolvendo a pintura indevida de um cachorro comunitário nas dependências da UNESC.
Ressaltamos que tal atitude é completamente incompatível com os valores que defendemos enquanto entidade estudantil, pautados no respeito, na ética e no cuidado com a comunidade e os animais.
Esclarecemos, ainda, que a recepção de calouros organizada pela Atlética de Psicologia Tritão ocorreu exclusivamente nas dependências do bar Planeta Beer, em ambiente controlado, e não possui qualquer relação com o episódio mencionado. Reforçamos que não tivemos participação, envolvimento ou qualquer tipo de responsabilidade na ação que resultou na pintura do animal.
Destacamos também que uma das etapas da nossa recepção de calouros foi a arrecadação de ração para os cães comunitários, justamente com o objetivo de incentivar o cuidado e a proteção desses animais, o que reforça ainda mais que atitudes como essa não condizem com os princípios da nossa Atlética.
Informamos ainda que estamos apurando o ocorrido e buscando identificar o(s) responsável(is) por essa ação, para que sejam devidamente responsabilizados.
Nos solidarizamos com a comunidade acadêmica e com todos que se sensibilizaram com a situação, e esperamos que os responsáveis sejam devidamente identificados e responsabilizados.
Seguimos comprometidos com a promoção de ações responsáveis, seguras e respeitosas dentro e fora do ambiente universitário.
Atenciosamente,
Associação Atlética Acadêmica de Psicologia Tritão”
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A Atlética dos Cursos de Comunicação Inkietos também divulgou nota de repúdio, destacando que atitudes como a pintura do animal são inaceitáveis e contrárias aos valores da instituição, podendo causar danos sérios à saúde do cachorro.
A entidade ressaltou que maus-tratos contra animais configuram crime, conforme a Lei nº 9.605/1998, com agravamento previsto pela Lei nº 14.064/2020.
Nota de repúdio da Atlética dos Cursos de Comunicação Inkietos
“Atlética Inkietos vem a público manifestar seu total repúdio ao ocorrido recentemente no campus, em que um cachorro foi pintado.
Entendemos que a recepção suja pode ser um momento de integração, mas jamais deve ultrapassar os limites do respeito, principalmente quando envolve um ser vivo. O que aconteceu é inaceitável e não representa os valores que defendemos.
Mais do que se preocupar com a imagem ou com possíveis repercussões, é fundamental olhar para o que foi feito. Situações como essa não podem ser ignoradas nem tratadas com descaso. A responsabilidade precisa ser assumida, e é necessário que haja esforço real para identificar os envolvidos, em vez de apenas transferir o problema de um lado para o outro.
Reforçamos que atitudes como essa podem causar danos sérios à saúde do animal, além de sofrimento e estresse desnecessários. Animais merecem respeito e cuidado, sempre.
Esperamos que esse caso sirva de alerta para toda a comunidade acadêmica, para que episódios assim não se repitam e para que as ações dentro da universidade sejam conduzidas com mais consciência e empatia.
Maus-tratos contra animais são crime, conforme a Lei nº 9.605/1998, com agravamento pela Lei nº 14.064/2020.
Diretoria Atlética Inkietos”
Nota de repúdio dos voluntários da causa animal
“Os voluntários da causa animal vêm, por meio desta, manifestar sua preocupação em relação ao ocorrido durante, provavelmente, um trote de calouros, no qual um cachorro que vive no campus foi pintado por participantes da atividade, inclusive na região da cabeça, próximo ao olho, e do ânus.
Entendemos que o trote pode ser um momento de integração, porém é fundamental que essas ações sejam conduzidas com respeito, cuidado e responsabilidade, especialmente quando envolvem seres vivos. Situações como essa reforçam a importância de promovermos a empatia e o bem-estar animal dentro do ambiente universitário.
É importante destacar que pintar um animal pode trazer diversos prejuízos à sua saúde, como reações alérgicas na pele, intoxicação (caso o animal lamba a substância), irritações, além de causar estresse e desconforto. A aplicação de produtos em áreas sensíveis, como cabeça e região anal, torna o risco ainda maior, podendo causar dor, inflamações e complicações mais graves. Muitos produtos não são adequados para uso em animais e podem comprometer seu bem-estar de forma significativa.
Reforçamos que os animais merecem ser tratados com dignidade e não devem ser expostos a práticas que possam causar danos, mesmo que sem intenção.
Esperamos que o ocorrido sirva como reflexão para toda a comunidade acadêmica, incentivando a realização de atividades mais conscientes, seguras e respeitosas no futuro.
Ressaltamos, por fim, que maus-tratos contra animais são crime, conforme a Lei nº 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais), com agravamento previsto pela Lei nº 14.064/2020.
A repercussão do caso reacende o debate sobre o papel da universidade e da comunidade acadêmica na proteção de animais comunitários, reforçando a importância de regras claras e do respeito ao bem-estar de todos os seres vivos no campus.”









