Além da morte do cão Orelha, celulares são analisados e polícia apura possíveis atos infracionais de adolescentes

A Polícia Civil de Santa Catarina apresentou, nesta última terça-feira (27), novos avanços na investigação do caso de maus-tratos que resultou na morte do cão comunitário Orelha, ocorrida no início de janeiro, na Praia Brava, em Florianópolis.
Além de aprofundar a apuração sobre as agressões que levaram ao óbito do animal, a corporação agora analisa celulares e equipamentos eletrônicos apreendidos para esclarecer possíveis outros atos infracionais envolvendo adolescentes suspeitos.
Durante coletiva de imprensa, a delegada Mardjoli Valcareggi informou que surgiram indícios de diferentes ocorrências associadas ao grupo investigado, como crimes contra a honra, depredação de patrimônio e comportamentos recorrentes de violência na região.
Segundo ela, o trabalho é considerado complexo, principalmente porque as principais vítimas não podem relatar os fatos, o que torna indispensável a análise de imagens e a colaboração da comunidade.
A investigação busca individualizar a conduta de cada suspeito, identificando quem participou diretamente das agressões e quem pode ter incentivado, registrado ou omitido os fatos.
A delegada destacou que a exposição indevida de nomes e imagens nas redes sociais pode prejudicar o andamento do inquérito e aumentar a coação sobre testemunhas.
Outro ponto revelado pela Polícia Civil é que familiares de adolescentes investigados, entre eles um advogado e dois empresários, foram indiciados por coação no curso do processo, após interrogatórios.
A corporação apura tentativas de interferência na produção de provas e na atuação de testemunhas.
O inquérito referente ao crime de maus-tratos contra o animal, conduzido pela Delegacia de Proteção Animal (DPA), já foi concluído e encaminhado ao Fórum.
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Já os procedimentos que envolvem adolescentes seguem sob responsabilidade da Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei (DEACLE).
Até o momento, mais de 20 pessoas foram ouvidas no âmbito das investigações.
Além disso, cerca de 72 horas de imagens captadas por 14 câmeras de monitoramento foram coletadas, o que, segundo a polícia, resultou em mais de mil horas de gravações analisadas, considerando cruzamentos, revisões e ampliações de trechos.
Na segunda-feira (26), mandados de busca e apreensão foram cumpridos em residências de suspeitos e de familiares.
Durante as ações, celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos foram recolhidos e agora passam por perícia. A expectativa é que o conteúdo desses aparelhos ajude a esclarecer a dinâmica dos fatos, a possível existência de novos crimes e o nível de envolvimento de cada investigado.
O caso Orelha gerou forte comoção em Santa Catarina e reforçou o debate sobre violência contra animais e responsabilidade criminal, especialmente quando envolve adolescentes.
A Polícia Civil afirma que as investigações continuam e que novas informações poderão ser divulgadas conforme o avanço das análises.
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