Ex-chefe da PRF é preso no Paraguai após romper tornozeleira eletrônica em SC
A pena imposta pelo STF soma 24 anos e seis meses de reclusão.

Silvinei Vasques, que já comandou a Polícia Rodoviária Federal (PRF), foi capturado pelas autoridades na madrugada desta sexta-feira (26) em Assunção, capital do Paraguai. A detenção aconteceu no principal aeroporto do país, quando ele se preparava para viajar ao exterior. A Polícia Federal brasileira acompanhava a situação e confirmou a prisão pouco depois da abordagem.
A movimentação que levou à captura começou após Vasques romper o dispositivo de monitoramento eletrônico enquanto estava em Santa Catarina. Com o descumprimento da ordem judicial, forças de segurança do Brasil acionaram órgãos policiais de países da região para impedir uma possível fuga. O ex-diretor acabou interceptado ao tentar seguir viagem utilizando identificação falsa, o que motivou a ação imediata da polícia paraguaia, com cooperação direta das autoridades brasileiras.
Condenado pelo Supremo Tribunal Federal por participação na tentativa de ruptura institucional após o pleito de 2022, Vasques teve a prisão preventiva decretada pelo ministro Alexandre de Moraes. Ele deve ser reconduzido ao Brasil depois de passar por audiência de custódia ainda nesta sexta-feira. A pena imposta pelo STF soma 24 anos e seis meses de reclusão.
Segundo a decisão da Corte, o ex-chefe da PRF integrou um dos núcleos da organização criminosa investigada e teria atuado em ações para vigiar autoridades e dificultar o deslocamento de eleitores no segundo turno das eleições, principalmente no Nordeste, por meio de operações da corporação federal nas rodovias.
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Além desse processo, Vasques já havia sido responsabilizado anteriormente pela Justiça Federal do Rio de Janeiro por empregar a estrutura da PRF com finalidade político-eleitoral durante a campanha de 2022. A sentença apontou o uso indevido de recursos públicos e da imagem institucional do órgão, o que resultou em multa superior a meio milhão de reais e outras sanções cíveis.
Em 2023, ele chegou a ser preso, mas obteve liberdade condicionada ao cumprimento de medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica. Já em janeiro de 2025, assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Inovação da Prefeitura de São José, na Grande Florianópolis, por nomeação do prefeito Orvino Coelho de Ávila (PSD). A permanência no cargo, porém, foi curta: no mesmo dia em que teve a condenação confirmada pelo STF no caso da trama golpista, em dezembro de 2025, pediu desligamento da função pública.










