Mosquito da febre amarela silvestre é identificado pela 1ª vez em áreas de SC
Entre 2019 e 2021, Santa Catarina contabilizou 27 casos de febre amarela, com oito mortes.

Um levantamento científico confirmou, pela primeira vez, a presença do mosquito Haemagogus leucocelaenus, principal transmissor da febre amarela no ambiente silvestre, em áreas de mata de cinco municípios catarinenses: Braço do Norte, Rio Fortuna, Santa Rosa de Lima, São Martinho e Pedras Grandes. As cidades ficam nas regiões Sul do estado e no Vale do Itajaí, ampliando o mapa de risco para a circulação do vírus em Santa Catarina.
A identificação do vetor é resultado de um estudo conduzido pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em parceria com a Fiocruz e órgãos estaduais de saúde. A pesquisa teve início após o registro de mortes e adoecimento de primatas nessas regiões durante o ciclo da febre amarela em 2021.
De acordo com a coordenação do estudo, a confirmação do mosquito indica a existência de um risco concreto de circulação do vírus no estado, o que motivou a captura e análise das espécies presentes para identificar os vetores envolvidos na transmissão.
Entre 2019 e 2021, Santa Catarina contabilizou 27 casos de febre amarela, com oito mortes. Em 2022, houve apenas um registro, considerado importado de outro estado.
Diante do cenário, as autoridades de saúde reforçam que a vacinação, disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é a principal forma de prevenção. Também são recomendados o uso de roupas compridas e repelente, especialmente por pessoas que residem ou frequentam áreas próximas a matas.
Os vírus da febre amarela urbana e silvestre são os mesmos, mas a diferença está nos mosquitos transmissores e na dinâmica de contágio. No ciclo silvestre, a transmissão ocorre por meio dos mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, que vivem em ambientes florestais e áreas próximas a rios.
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O maior risco sanitário surge quando uma pessoa infectada retorna a centros urbanos e é picada pelo Aedes aegypti, podendo reiniciar o ciclo urbano da doença, interrompido no Brasil desde 1942.
Os macacos, frequentemente afetados no ciclo silvestre, funcionam como sentinelas da circulação do vírus, mas não transmitem a doença diretamente aos humanos. A infecção ocorre exclusivamente pela picada de mosquitos contaminados. Durante o estudo, a equipe coletou mais de 4 mil mosquitos entre janeiro e fevereiro de 2023.
Desses, 91 foram identificados como Haemagogus leucocelaenus, incluindo 22 exemplares com características semelhantes a uma espécie até então registrada apenas no Acre, o que amplia o alerta epidemiológico para o estado.










