Adolescentes de Pomerode passam por encontros socioeducativos após flagrantes com cigarro eletrônico

Um grupo de adolescentes flagrados utilizando cigarro eletrônico em Pomerode iniciou, nesta sexta-feira (21), um ciclo de encontros socioeducativos promovido pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). A iniciativa, chamada “Pulmão limpo, futuro brilhante”, tem como objetivo orientar, prevenir danos e promover responsabilidade entre jovens que desconheciam, em grande parte, os riscos e as implicações legais do uso do vape.
A primeira atividade, realizada no Fórum da cidade, reuniu oito adolescentes e contou com a participação do médico pediatra Sthevan Bernardon, convidado para explicar os efeitos do cigarro eletrônico no organismo. A ação é conduzida pela 1ª Promotoria de Justiça de Pomerode, após o aumento no número de ocorrências envolvendo entrega, receptação e uso de vapes por menores, especialmente em ambientes escolares.
Segundo a Promotora de Justiça Rejane Gularte Queiroz Beilner, a proposta surgiu após a constatação de que muitos jovens não compreendiam a gravidade da prática.
“Percebemos que a maioria não tinha noção dos riscos e das implicações jurídicas”, afirmou.
Ela destacou que, antes dos encontros coletivos, conversou individualmente com cada adolescente, confirmou os fatos, aplicou advertência formal e explicou as consequências legais da conduta.

Durante a atividade, um dos momentos mais marcantes foi o depoimento de uma adolescente que resumiu a surpresa ao descobrir a dimensão do problema:
“Eu não fazia ideia de que aquilo poderia me trazer tantos problemas. Achei que não era tão grave e nem sabia que o uso era proibido no Brasil. Não imaginava que se tratava de um ato infracional.”

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Outra participante reforçou a importância das explicações técnicas apresentadas pelo médico convidado:
“Foi importante entender melhor o que isso causa na saúde. A gente escuta muita coisa pela internet, mas aqui deu para ver que tem consequências reais.”
O pediatra Sthevan Bernardon alertou que o vape não é inofensivo. “O vapor do cigarro eletrônico não é apenas vapor, ele contém substâncias tóxicas, partículas ultrafinas e aditivos que, após inalados, podem causar danos silenciosos ao organismo”, explicou. Segundo ele, os efeitos podem começar de forma discreta, especialmente entre adolescentes, tornando ações preventivas indispensáveis.

A Promotoria também abordou a legislação vigente. No Brasil, a comercialização, importação e propaganda de cigarros eletrônicos são proibidas pela Resolução da Diretoria Colegiada n. 46/2009 da Anvisa, proibição mantida em 2022.
O Estatuto da Criança e do Adolescente também veda a venda e entrega de produtos que causem dependência a menores, o que inclui os dispositivos eletrônicos para fumar.

O projeto seguirá nas próximas semanas com atividades conduzidas por equipes das áreas de Assistência Social e Saúde, além de visita técnica e apresentação final dos adolescentes no início de 2025.
Ao final do encontro, uma adolescente de 14 anos destacou que o aprendizado já começa a produzir reflexões:
“Eu comecei a usar o cigarro eletrônico porque estava num momento difícil da minha vida. Não sabia de todos os riscos que trazia para minha saúde. Essas palestras vão me ajudar a ter mais consciência e propagar essas informações para minhas amigas.”










