No CRAD Timbó, homem castigado por ligar para a família cometeu suicídio
Saiba o que aconteceu; esta matéria foi escrita com o consentimento da família

🚨🚨🚨 ALERTA DE GATILHO: esta reportagem contém relato de suicídio; recomenda-se cautela a leitores sensíveis.
🚨🚨🚨 AVISO: O texto a seguir foi escrito com o consentimento dos familiares da vítima, que terá a identidade preservada. Criamos um nome fictício para contar a história.
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Em março de 2022, Carlos procurou voluntariamente o CRAD (Centro de Recuperação de Álcool e Drogas) para tratar a dependência química.
Após quase um ano internado, próximo de ter alta, ele passou a realizar serviços administrativos. Como tinha acesso ao telefone, fez uma ligação para familiares pedindo que sua filha fosse avisada de que ele sairia logo e gostaria que passassem o Natal juntos.
Por usar o telefone para ligar para a família, Carlos foi violentamente repreendido e avisado de que seu tratamento voltaria à estaca zero, o que significava passar quase mais um ano no local. Além disso, ficaria três meses sem poder conversar com familiares.
A ligação foi feita no dia 19 de novembro. No dia 20, Carlos ficou isolado. No dia 21 teve uma sessão com a psicóloga, com duração de uma hora.
Na madrugada do dia 21 para o 22, aos 42 anos, Carlos cometeu suicídio dentro do CRAD.
Segundo documentos aos quais o Misturebas News teve acesso, o socorro foi feito por dois internos (e não por alguém da administração), que levaram Carlos ao hospital, onde foi constatado o óbito.
A família recebeu a notícia por uma mensagem de áudio.
À polícia, o dono da comunidade terapêutica, Volnei Pereira, afirmou que foi alertado pela psicóloga de que Carlos poderia fugir. Em função disso, teria colocado um interno para vigiá-lo.
Para a família, o CRAD falhou no dever de cuidado que tinha com Carlos. Não foi vigilante, não prestou socorro e também não forneceu suporte aos parentes diante da perda.
A família pagou R$ 2,5 mil de inscrição e mais R$ 2 mil de mensalidade pela internação de Carlos.
Por que contar essa história?
O suicídio é um tema delicado.
A Organização Mundial de Saúde recomenda que não se fale muito sobre o assunto para não estimular a prática.
Nossa decisão em contar a história de Carlos – que passou pelo consentimento da família – se justifica para revelar o que de fato acontecia dentro do CRAD, que, atualmente, está proibido de receber novos internos.
Volnei Pereira, em entrevista à nossa equipe, assumiu apenas uma morte dentro da unidade, a de um senhor que passou mal. Disse ainda que um homem tentou cometer suicídio, mas foi impedido.
Busque ajuda
Se você tem pensamentos suicidas, saiba que não está sozinho. Estima-se que uma em cada cinco pessoas já teve um pensamento suicida alguma vez na vida.
Ter um pensamento desse tipo não é motivo de vergonha, mas serve como alerta de que é preciso buscar ajuda.
O CVV (Centro de Valorização da Vida) possui atendimento 24 horas, por telefone (disque 188, é de graça) ou chat através do site. Clique aqui para acessar.
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