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De aluno reprovado a delegado combativo: Aderlan Camargo relata crimes e desafios da polícia no Mistukenti

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No mais recente episódio do Mistukenti, tivemos a honra de receber o delegado Aderlan Camargo, que recentemente assumiu a chefia na cidade de Timbó, e compartilhou sua trajetória de vida, marcada por inúmeros desafios, reviravoltas e uma convicção firme de que perseverança, foco e auto­conhecimento transformam vidas.


De infância difícil ao autoconhecimento

Aderlan relatou que, ainda na escola, enfrentou grandes dificuldades de aprendizado — ele mesmo recorda ter reprovado duas vezes na 4ª série quando estudava no colégio adventista em Curitiba.

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Passou por várias reprovações e chegou a se ausentar das aulas, “gasear” como ele mesmo colocou, até que sua mãe o matriculou em um supletivo para tentar recuperar o atraso.

Durante esse período, Aderlan conta que era visto como introvertido, tinha poucos amigos, dificuldade de leitura e interação social — sinais de que havia algo diferente, embora o autismo só fosse identificado mais tarde.

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Ele também relatou que por muitos anos percebeu que aprender exigia dele esforço extra e dedicação rigorosa — “tinha que ler várias vezes o mesmo texto para entendê-lo”.

E foi aí que ele descobriu o poder do “hiperfoco” — característica associada ao autismo — voltando-se para aquilo que realmente o interessava e encontrando um caminho para seguir.

De aluno reprovado a delegado combativo: Aderlan Camargo relata crimes e desafios da polícia no Mistukenti
Fábio Ferrari – Misturebas News

A advocacia, a transição e a carreira na segurança pública

Inicialmente formado em Direito, Aderlan constituiu uma sociedade de advogados em Curitiba com sua esposa (também formada em Direito) e atuou dessa forma por um tempo.

Mas afirmava não estar feliz na advocacia, e sentia que precisava de algo mais alinhado à sua vocação. Então, decidiu estudar para ingressar na carreira policial: fez concurso público em seis estados diferentes até que, finalmente, foi aprovado em 30º lugar entre mais de 10 mil inscritos no Estado de Santa Catarina. Hoje ele completa 10 anos como delegado.

Ele explica que o caminho para se tornar delegado exige bacharelado em Direito mais um concurso com várias etapas (sete fases), sendo um projeto de médio/longo prazo — “a pessoa não passa se parar de estudar”.

Aderlan enfatiza que “aprender a perder faz parte do processo; apanhar faz parte do processo”.


Atuação policial: cidades, desafios e a chegada a Timbó

Aderlan iniciou sua carreira na região de Rio do Sul, passou por Balneário Camboriú (onde atuou como delegado plantonista em situações de elevada tensão) e Tijucas, antes de escolher vir para Timbó em abril deste ano. Ele destaca que a cultura local aqui é mais acolhedora:

“Hoje eu vou no mercado e algumas pessoas me reconhecem… isso não ocorre tanto no litoral. Aqui é um povo mais fechado, mas mais ligado à mídia local.”

Ele também comenta sobre os desafios da função, que vão além da investigação: “O delegado tem que fazer gestão de pessoas — não é RHzinho particular — é um abacaxi. Como fazer uma boa gestão quando o servidor gosta de estabilidade?”.

De aluno reprovado a delegado combativo: Aderlan Camargo relata crimes e desafios da polícia no Mistukenti
Fábio Ferrari – Misturebas News

Durante a conversa, Aderlan trouxe luz a crimes que têm crescido e que demandam atenção: o volume de boletins de ocorrência de estelionato, especialmente com dois golpes em evidência — o do “falso advogado” (que se passa pelo advogado da vítima e exige “taxa” para liberar um valor) e o da “falsa central” — muito comuns entre idosos.

>>LEIA TAMBÉM: Rafael Nones no Mistukenti: vice-prefeito, pai, agricultor e apaixonado por Rio dos Cedros

Ele relembrou o primeiro caso que tratou em Timbó: uma senhora de 70 anos que perdeu “cento e poucos mil reais” para um estelionatário sentimental. O criminoso se ‘passava’ por parceiro, estava convivendo com ela, dormindo, tomando banho juntos.

Ele também cita o caso de relacionamento online que virou tragédia: uma mulher romena que viveu situação de stalker e foi alvo de tentativa de assassinato no estacionamento de um aeroporto em Balneário Camboriú. O autor fugiu para Paraguai e Bolívia.

Ele reflete sobre a sensação de frustração no trabalho policial: apesar da identificação dos criminosos, às vezes o sistema ainda oferece resposta leve demais:

“Pedir o enquadramento em associação criminosa… juiz soltou. Você coloca de volta na rua e sabe que ele vai continuar fazendo a mesma coisa”. “Na primeira vez nunca fica preso. O cara tem que ser preso três vezes para algo mais grave acontecer”.

Também falou que percebe mudanças nos perfis de vítimas e agressores. Sobre violência doméstica, trouxe a pergunta: acontece a mesma consequência quando o homem é vítima da mulher? Ele diz que “não é a mesma consequência”.

Autismo e trajetória pessoal

Aderlan também comentou de forma tranquila sobre ser autista e como isso faz parte de quem ele é, dentro e fora da polícia. Ele explicou que o diagnóstico ajudou a compreender comportamentos e percepções que o acompanharam desde a infância.

Segundo Aderlan, algumas situações sociais e ambientes muito intensos podem ser desafiadores, mas a atenção aos detalhes e a forma objetiva de analisar fatos se tornaram aliadas no trabalho policial.

Ele reforça que não vê o autismo como limitação, e sim como uma característica que aprendeu a reconhecer e respeitar em si mesmo.

“Eu só queria entender por que eu era diferente. Depois que descobri, consegui me aceitar e usar isso a meu favor”, afirmou.

A atuação em Timbó e o futuro

Em Timbó, Aderlan busca implantar sua forma de trabalho: perfil “combatente”, comprometido, que exige dos policiais ao seu redor dedicação e produtividade. Ele vê a cidade como “mais acolhedora”, o que favorece a proximidade com a comunidade.

Ele conclui que nunca duvidou que esse fosse seu caminho, mas reconhece que é uma carreira exigente e que “o delegado responde a quem? Ninguém! Ele é autoridade.” Ele destaca que “o trabalho do promotor, o cliente da nossa delegacia, é o Ministério Público; o juiz é instância de decisão. Mas não há hierarquia entre essas figuras”.

Para os ouvintes do Mistukenti e para a comunidade de Timbó, a mensagem final dele é clara:

“Não pare de estudar. Não pare de focar. E, acima de tudo, preste atenção — no mundo físico, no mundo digital, nas relações humanas.”

Apoiadores do programa: Cervejaria Casa Back, Olhar Digital Vistorias e Box Service Mecânica Automotiva.

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