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Projeto Tamar monitora dois ninhos raros de tartaruga marinha, em Bombinhas

Projeto Tamar monitora dois ninhos raros de tartaruga marinha, em Bombinhas

Técnicos do projeto Tamar monitoram dois ninhos de tartaruga-cabeçuda nas praias do Mariscal e do Canto Grande, em Bombinhas. A escolha das praias catarinenses para a postura de ovos, pelas tartarugas marinhas, é raríssima. É o terceiro registro feito pelo Tamar nos últimos três anos, e em apenas um deles os filhotes sobreviveram. Por isso, os ninhos recebem total atenção.

A primeira desova ocorreu no dia 5 de dezembro. Pouco mais de um mês depois, no dia 13 de janeiro, um segundo ninho apareceu. Moradores e turistas filmaram a postura. Daniel Rogério, do Tamar Florianópolis, diz que, como não foi possível marcar a tartaruga, não se sabe se os dois ninhos pertencem à mesma mãe, ou a tartarugas diferentes _ as fêmeas fazem até sete desovas num mesmo período.

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As tartarugas marinhas não chocam os filhotes. Os ovinhos ficam sob a areia, e são chocados pelo calor do sol. Por isso, os animais costumam fazer a desova nos estados mais ao Norte, acima do Rio de Janeiro, onde a temperatura da areia costuma ser mais elevada. Caiame Nascimento, técnico do Tamar em Itajaí, diz que são necessários pelo menos 23º de temperatura na areia para garantir o desenvolvimento dos filhotes.

Até então, a suspeita era de que as eventuais desovas em SC ocorressem por “acidente”, antes da tartaruga alcançar águas mais quentes. Mas o Estado tem passado por uma onda de calor acima da média neste verão, e a temperatura da água está até 3º mais quente nas praias, o que pode ter incentivado as posturas.

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Foto: Tamar

_ Ainda não temos como afirmar com certeza. Poderemos entender melhor nos próximos anos, porque geralmente a tartaruga desova em uma temporada, descansa na próxima e volta na temporada seguinte _ explica Caiame.

Segundo ele, a escolha do local é um bom indício ambiental. Pode mostrar que as populações estão se recuperando, e que a praia está em boas condições. A desova inusitada, no entanto, inspira cuidados _ especialmente com os curiosos.

A Fundação Ambiental de Bombinhas (Famab) cercou os ninhos, para evitar que as pessoas se aproximem. O Tamar colocou indicações de que o local é de desova, e está monitorando o espaço. A recomendação é que se evite caminhar muito próximo do ninho.

_ Já temos o problema da temperatura da areia não ser favorável. Se alguém abrir o ninho, pode causar desequilíbrio _ alerta Caiame.

Foto: Tere Wenzel

Das três desovas registradas no Estado, duas são de tartaruga-cabeçuda e uma de tartaruga-verde, que botou os ovinhos na Praia do Estaleiro, em Balneário Camboriú, há cerca de dois anos. A postura ocorreu em período já próximo do inverno, por isso as tartaruguinhas não vingaram.

O outro caso ocorreu na Praia do Moçambique, em Florianópolis. Nasceram 40 tartarugas, de cerca de 100 ovos.

Em Bombinhas, devido à grande atividade pesqueira na região, os técnicos do Tamar terão um cuidado extra após o nascimento dos filhotes. A ideia é não deixar que elas corram para o mar naturalmente, mas induzir a entrada em um local protegido, onde a chance de esbarrarem nas redes é menor.

 

Fonte: nsc/Por Dagmara Spautz | Foto: Tamar
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Redação Misturebas

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